segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sagrada névoa da ignorância

Relembro aqui um dos meus primeiros posts, sobre a ânsia que dá no estômago quando a vontade de viver mais que o tempo que temos nos impele a abraçar o Sol sem luvas de padeiro. Preciso de luvas de padeiro ao menos, pois se queimo o peito nesse ato louco, não é problema: já estava queimado quando tais loucuras me vieram a cabeça.

Vejo que não me conheço. Se algo aprendi, se é que posso dizer que algo fora nesses anos por mim apreendido, é que serei meu maior desconhecido. Não conheço ninguém que já tenha em tantas outras ocasiões tomado por granted como aquele homem que rouba e veste minhas feições. Vejo apenas que não sou eu, pois sempre sorri mais que eu. Não consigo imitá-lo.

Repito esse mantra a cada vez que não reconheço meu reflexo no espelho, mas como todas as promessas que fazemos fadadas a serem quebradas, esta nova e leviana que acaba de nascer, qual seja de conhecer quem me encara neste corpo, se quebra quando o ar de normalidade volta. O normal é uma névoa feita de ignorância que nos cega e deixa as pedras encobertas e o mar aparentemente calma. Esperança é o farol que parece sinalizar que estamos no caminho certo.

Sim, preciso da ignorância. Vejo que para certas coisas na vida, antes morrer na ignorância. Uma dela é o medo da verdade que me faz duvidar da bondade que dizemos ter em nossa alma e acredito que se um dia soubéssemos de quais ingredientes usaram para nos fazer, desejaríamos por uma boa morte. Sem navegar em meio daquela densa névoa, veríamos que o Farol era penas um engodo da Destino e que jamais chegaríamos a nenhum lugar que fosse perto de nós mesmos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Da paixão por idéias

É um dos melhores tipos de paixão, pois se apaixona por aquilo que pensas ser, e na verdade é. Não se desilude, pois na paixão por ela se olha para dentro de si. O objeto de sua paixão amolda-se aos seus anseios e a sua capacidade de se apaixonar, não lhe trai os sentidos ou, até mesmo, a razão, em se demonstrar algo que nunca fora, porque se já se apaixonara, aquilo que se ainda não é, para ti que a criara sempre terá sido.

Apaixonar-se pela idéia que criara, quando mais filha sua fora, é apaixonar-se, outra vez, por aquele que fora capaz de lhe gerar. Apaixona-se por si mesmo, pois de ti nasceu; apaixona-se por ela, pois ela é você em transformação. Estar constantemente apaixonado por uma idéia é saber reconhecer que ainda só lhe descobrira o nome, mas sua essência aos poucos se apresenta à medida que a deixa ir e vir de si, solta-lhe ao mundo para crescer, transformar-se ou até mesmo morrer.

É simples, pois se jamais lhe cortar as asas, do seu parto já tivera a alegria de tê-la visto nascer e, por mais que um dia morra fora de si, se o amor que por ela tivera foi verdadeiro, a morte para o mundo não terá tirado a paixão que nascera no peito de quem a criou.

sábado, 8 de janeiro de 2011

As escolhas e os barquinhos de papel

Comecei o ano da maneira que mais gosto: olhando um caminho que se apresentou  há alguns dias sem saber se leva a Roma ou a Meca. Uma análise muito apressada diz-me que qualquer dessas cidades cidades teria tantas luzes quanto Paris - análises apressadas são boas justamente porque não dá tempo de escutarmos nada além de nosso coração; uma análise mais demorada - aquela que conferenciamos com a razão - não me diz absolutamente nada, ou se me diz algo - como aquelas grandes chances de meu coração estar errado -, me incomoda.

Qual é a melhor maneira para se tomar uma decisão que potencialmente pode alterar o curso de sua vida?

Seria melhor jogar barquinhos de papel ou nadar à caça de portos?

Clique abaixo e leia sobre.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O curto fascínio por quem não se conhece

Certa vez escutei uma frase muito verdadeira de uma amiga extremamente inteligente que me fez pensar em como gostamos de enxergar o mundo através de um véu ou, se preferir, com óculos que nos aguçam a miopia.

Tal frase foi dita, assim como acredito que tenham sido ditas as mais interessantes frases entre amigos, entre risos e copos numa mesa de bar.

"Para que alguém lhe seja interessante basta que você não o conheça."

Acho que cada um chegaria a uma conclusão do que foi dito acima.
Clique abaixo e veja a minha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Digressões sobre viagem no tempo: matar o Araribóia.


Já pararam para pensar quando lendo livros de história ou artigos afins que, por mais insignificantes que pareçam, pequenos detalhes se, por um milagre da ciência, pudessem ser alterados no curso dos acontecimentos implicariam numa realidade completamente diferente? Eu, claro, mentalmente perturbado que sou, já o fiz e várias vezes! Sabe qual desses acontecimentos mudaria caso pudesse ter uma máquina do tempo ao meu dispor? Passando por Niterói, lembro dele. Mataria o Araribóia!

Estou estudando francês atualmente e, ainda que a ache uma língua muito bonita, adoro o português, mesmo, mas já pensou se aquele índio infeliz tivesse morrido antes ajudar os portugueses a derrotar Villegagnon em plena Baia de Guanabara? Provavelmente o Brasil seria um país bilíngue, com dominação portuguesa no norte e francesa mais ao sul! Séculos mais tarde os portugueses se aproveitando das inúmeras guerras nas quais a França se meteu, retomaria o território perdido. Mas o "estrago" já estaria feito: estaríamos falando francês! Claro que não estou dizendo que seríamos melhor ou pior, mas falaríamos francês e português hoje em dia! Praticamente um Canadá!

O tal Araribóia (ainda derrubo aquela estátua) foi um cacique sem mãe que ajudou os portugueses a derrotar os franceses no ano de 1556, resumindo mal e porcamente a história. Pra "ajudar" a melhorar minha simpatia pelo dito cujo, quem foi o português que buscou o apoio indígena? Sim, o mesmo que mais tarde deu nome aquele nobre bairro no Rio de Janeiro e que também foi homenageado por aquela sociedade empresária anônima de capital aberto, com ações na bolsa, que insistem em chamar de faculdade.

Resumindo então, Estácio de Sá junto com seu amigo cacique Araribóia vencem os franceses aliados aos tamoios e ficam com o "Brasil". E depois ainda ganhou uma estátua em Niterói (bem feito! nem no Rio foi...vamos combinar que se ele realmente tivesse feito algo que prestasse, estaria com uma estátua no Leblon, Ipanema, vista pro mar...)

Fato é que voltando no tempo mataria esse infeliz! Agora seria eu já bilíngue por nascença, quase um Canadense e.... bom, humm.. restaria saber qual seria a língua que estaria aprendendo então nessa outra realidade...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Da ansiedade por mais cores



Eu e minha eterna mania de achar que vejo além do óbvio quando, em muitos dos casos, aquilo que presumo ver em nada corresponde com o que se reflete em minhas retinas: são ilusões pré-concebidas pela minha esperança em comunhão com minha ansiedade.

Sou extremamente ansioso. Considero esta uma das falhas ligadas a minha pessoa que mais me incomoda (e talvez aos outros também). Por sua causa deixo de ver aquilo que está a minha frente e passo a enxergar o que gostaria que de fato estivesse - pinto com cores que me agradam e depois me engano achando que sempre foi assim. Tudo por que sou ansioso e deixo que isto tome o melhor de meu bom senso e racionalidade.

Dizem que aprendemos com os erros. Pois eu digo o contrário! Os nossos erros é quem aprende com eles mesmos, e se aperfeiçoam! Tornam-se mais sofisticados e sedutores, fazendo com que caiamos em nossas próprias armadilhas, seja enganados pelo nosso ego, ignorância, estupidez ou, como é meu caso pessoal, por esta minha maldita ansiedade.

Li em vários livros passagens que remetem a idéia de que sem nossos erros, falhas, sei lá que mais nome lhes dar, não conseguiríamos moldar nosso caráter e com isso atingir a um estado de maturidade. Não sei se consigo concordar com isso tudo, mas posso dizer que tais coisas nos fazem ser, pelo menos, mais interessantes ou, se preferirem nestes termos como eu prefiro, menos insossos.

Voltarei a escrever. Estou precisando da minha dose desta droga que me acalma. Quem sabe com isso paro de ver fadas e duendes no lugar de pedras e troncos? Sinto-me como Don Quixote! Ahhh! Para! Pois se quero me convencer que este minha ansiedade é algum ruim - uma erva daninha a ser arrancada - não posso comprar-me a Don Quixote! Digam o que quiserem, mas seu mundo, ainda que somente seu, era muito mais colorido e interessante que o outro, aquele onde se viam moinhos... humpf... que graça se tem em ver moinhos!?

É o que dá, querer ver cor em "tudo". Que venham os gigantes!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Compras de Natal - a caçada moderna


Tirando o fato do Natal ter se tornado na maior celebração capitalista da história, a sua essência, ainda que dela nos utilizemos como desculpas para nos entregar às compras, faz dessa época do ano a minha favorita! Mas não se enganem, acho legal o tal espírito de natal, confraternização e tudo mais, só que esse post é sobre o lado capitalista mesmo - fazer compras! Na verdade o ato de comprar que me seduz. Tal sedução se dá ao fato que ela me torna mais humano no sentido histórico-evolutivo da palavra. As compras de natal com todas as suas peculiaridades e desaventuras me fazem voltar séculos atrás na minha evolução como homo sapiens sapiens, fazendo-me sentir como um ser paleolítico em plena caça pela sua própria subsistência. 

Para maiores devaneios, clique abaixo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Prêmio e proteção para nossos assassinos


"Não existe nenhum país no mundo que ofereça tamanha proteção (aos acusados). Portanto, se resolvermos politicamente - porque esta é uma decisão política que cabe à Corte Suprema decidir - que o réu só deve cumprir a pena depois de esgotados todos os recursos, ou seja, até o Recurso Extraordinário ser julgado por esta Corte, nós temos que assumir politicamente o ônus por essa decisão."
Ministro Joaquim Barbosa, quando do julgamento do HC 84078/MG pelo STF



Adorei a frase do nosso digníssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal. Ela é a pura verdade que nossos juristas deverão enfrentar. Sobre do que se trata? Responderei nessas breves linhas dando exemplos mas, em síntese, é sobre aquela sensação de que no Brasil se protege demais aquele que comete um crime em detrimento da sociedade brasileira. Premia-se sob o nome de institutos jurídicos eloqüentes o comportamento de alguns que deveriam ser extirpados de nosso convívio. 

Vocês, meus caros, se não pertencem ao mundo do direito, talvez não saibam exatamente o que acontece com alguém que, por exemplo, mata seu filho ou irmão. 

Irei explicar.




domingo, 29 de novembro de 2009

Um belo presente de grego para nossa vida


Certa vez escutei que o mundo, no que tange a compreensão limitada que dele podemos fazer, depois dos gregos e romanos ficou extremamente démodé (do francês fora da moda - usei-o no original para ser fiel àquilo que escutei).  Pois se tem algum exagero nessa afirmação, e acredito sim que ela possui, vejo-me obrigado a confessar ainda não ter encontrado melhor definição do amor a não ser aquela cunhada pelos gregos há milhares de anos atrás. 

Hoje em dia vejo dúvidas pairarem sem rosto e corpo sob a cabeça de meus amigos e amigas, mas que depois de lhes explicar aquela velha fórmula grega, elas não desaparecem, mas tomam corpo criam um rosto. Às vezes o entendimento daquilo que nos atormenta - se é que podemos falar isso do amor - não permite nos livrarmos dele, vez que nem sempre isso é possível, mas permite a sua compreensão para podermos, ao menos, conseguir nossa resignação.

Com essa breve introdução, vou escrever um pouco sobre esse sentimento que pouco entendemos mas que domina nossas vidas.

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Minhas dúvidas filosóficas sobre Deus


Prometi quando comecei esse blog que jamais me atreveria a escrever sobre um assunto que domino pouco pois, se críticas viessem, jamais saberia refutá-las o que, para mim, traduziria-se numa grande tragédia. Nos meus primeiros posts resolvi me aventurar um pouco e tracei algumas linhas sobre o que entendo ser o papel da religião e, por terem sido curtas e despretensiosas, não me trouxeram problemas naquele trágico sentido. Todavia, agora já um pouco mais confiante (sem o menor motivo para estar, vez que meu conhecimento sobre este assunto é tão somente aquele que pude absorver pela experiência) ou mais insensato (apostaria nesse viés), principalmente depois de ler um outro post num blog duma amiga (e aqui retribuo a gentileza da Juliana em ter me feito uma dedicatória pois, verdade seja dita, se de algum lugar poderia ter me nascido a inspiração para enfrentar esse tema, foram de suas linhas), resolvi escrever sobre Deus. Claro, não irei e nem poderia aqui tecer comentários sobre teologia, pois quase nada saberia dizer sobre o assunto mas, talvez já estando convencido pela minha insensatez, resolvi apenas expor minhas dúvidas filosóficas pessoais.

Acredito fielmente que não há respostas absolutas nessa área, pois se há algo mais humano que nosso próprio ser, é aquele a quem nós (em sua maioria, malgrado o nome que se lhe dê) imputamos a autoria de nossa criação. Herdou, ou melhor, herdamos desse criador, como uma das características que nos fazem humanos, a negação ao absolutismo imutável e o apreço à inconstância de nosso ser. Falarei sobre isso mais adiante, mas adianto logo que não pretendo, como já disse, trazer nada de novo ou verdadeiro, apenas minhas dúvidas e divagações sobre o tema.

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