Relembro aqui um dos meus primeiros posts, sobre a ânsia que dá no estômago quando a vontade de viver mais que o tempo que temos nos impele a abraçar o Sol sem luvas de padeiro. Preciso de luvas de padeiro ao menos, pois se queimo o peito nesse ato louco, não é problema: já estava queimado quando tais loucuras me vieram a cabeça. Vejo que não me conheço. Se algo aprendi, se é que posso dizer que algo fora nesses anos por mim apreendido, é que serei meu maior desconhecido. Não conheço ninguém que já tenha em tantas outras ocasiões tomado por granted como aquele homem que rouba e veste minhas feições. Vejo apenas que não sou eu, pois sempre sorri mais que eu. Não consigo imitá-lo.
Repito esse mantra a cada vez que não reconheço meu reflexo no espelho, mas como todas as promessas que fazemos fadadas a serem quebradas, esta nova e leviana que acaba de nascer, qual seja de conhecer quem me encara neste corpo, se quebra quando o ar de normalidade volta. O normal é uma névoa feita de ignorância que nos cega e deixa as pedras encobertas e o mar aparentemente calma. Esperança é o farol que parece sinalizar que estamos no caminho certo.
Sim, preciso da ignorância. Vejo que para certas coisas na vida, antes morrer na ignorância. Uma dela é o medo da verdade que me faz duvidar da bondade que dizemos ter em nossa alma e acredito que se um dia soubéssemos de quais ingredientes usaram para nos fazer, desejaríamos por uma boa morte. Sem navegar em meio daquela densa névoa, veríamos que o Farol era penas um engodo da Destino e que jamais chegaríamos a nenhum lugar que fosse perto de nós mesmos.






